Inicialmente designado “Grupo Folclórico e Recreativo do Porto da Cruz”, este coletivo nasceu a 14 de abril de 1974, tendo origem num grupo de cantares já existente na freguesia. Desde a sua fundação, o grupo assumiu como principais objetivos a divulgação da cultura genuína do meio onde se insere — o Porto da Cruz — e a promoção do convívio saudável entre a população local, reforçando os laços comunitários através da música, da dança e das tradições populares.
Ao longo dos anos, o grupo ultrapassou as fronteiras da freguesia, levando a cultura do Porto da Cruz a diferentes pontos da Madeira, do país e do estrangeiro, demonstrando uma notável vitalidade e capacidade de adaptação. A sua atividade tornou-se, assim, um importante veículo de divulgação do património cultural madeirense.
Entre os seus fundadores destaca-se o saudoso Eduardo Caldeira, considerado uma figura de grande relevância cultural na freguesia, juntamente com outros elementos que contribuíram para a consolidação do projeto. Ao longo da sua existência, o grupo tem realizado inúmeras atuações em toda a ilha da Madeira, bem como digressões pelo território continental português, Ilhas Canárias e França. Também participou em diversos programas da RTP, contribuindo para a divulgação do folclore madeirense a nível nacional.
O grupo conta ainda com a gravação de vários discos que preservam o seu vasto repertório tradicional, constituindo um importante registo sonoro da cultura popular da freguesia.
Reestruturação e renovação do grupo
Com o passar dos anos, e perante a necessidade de reorganização interna, o grupo foi integrado na Casa do Povo do Porto da Cruz no ano de 2002. A partir dessa data, iniciou-se um trabalho aprofundado de investigação e recolha etnográfica, com o objetivo de enriquecer o repertório existente e captar novos elementos, fortalecendo assim a identidade do atual “Grupo de Folclore do Porto da Cruz (Casa do Povo)”.
Entre outubro de 2002 e 2010, a direção artística esteve a cargo do professor Roberto Moniz, período durante o qual se verificou um importante impulso na organização e qualidade das apresentações. Atualmente, a componente musical é dirigida por Leonardo Correia, enquanto a direção geral do grupo é assegurada por Cláudio Nóbrega, Cirilo Vieira, Leonardo Correia e Adelaide Dias. A renovação geracional trouxe nova energia ao grupo, garantindo a continuidade do seu trabalho cultural.
Atuações e representações culturais
Ao longo da sua trajetória, o grupo tem participado em inúmeros eventos culturais, festivais e intercâmbios, tanto a nível regional como internacional.
Em 2005, destacou-se a participação no III Festival de Folclore do Porto Santo e uma digressão à ilha de Gran Canária, bem como diversas atuações em eventos da Região Autónoma da Madeira. Nesse mesmo ano, integrou um espetáculo comemorativo dos 500 anos da música tradicional madeirense, realizado no Centro Cívico do Porto da Cruz, do qual resultou a gravação de um DVD.
Em 2006, realizou um intercâmbio no norte de Portugal continental com o Grupo de Cantares de Carrazeda de Ansiães. No ano seguinte, em 2007, representou a Região Autónoma da Madeira no Festival de Folclore dos Arrifes, na ilha de São Miguel, Açores.
Em 2009, participou no Festival de Folclore do Porto Santo e lançou o seu primeiro CD intitulado “Saltinho”, celebrando 35 anos de atividade. Em abril de 2010, deslocou-se à ilha de Tenerife, em Espanha, e desde 2009 integra o projeto “Raízes de um Povo”, dedicado à preservação do património musical madeirense.
Em agosto de 2011, o grupo marcou presença no 52.º Festival de Folklore de Jambes, em Namur, na Bélgica, com o apoio do Grupo de Folclore Masuis e Cotelis. Em 2014, celebrou quatro décadas de existência, reforçando o seu papel como embaixador cultural do Porto da Cruz.
Um legado vivo da cultura popular madeirense
O Grupo de Folclore do Porto da Cruz afirma-se, assim, como uma referência incontornável na preservação e divulgação das tradições madeirenses. Através da música, da dança e da investigação etnográfica, o grupo continua a desempenhar um papel fundamental na valorização da identidade cultural da freguesia e da Região Autónoma da Madeira, mantendo viva a ligação entre o passado e o presente.















